Escola de Educação Infantil

   Esta escolinha está situada no Bairro do Ouro Fino, em Sorocaba, SP. Diante do desafio de projetar a reforma de uma edificação com quase 40 anos de idade, pouca manutenção e com verba reduzida, optou-se por materiais enxutos e de efeito: cobertura metálica cor branca, reboco nas paredes existentes (muito irregulares), piso cerâmico anti-derrapante marfim em todos os ambientes para evitar perda de material, cores alegres e novas esquadrias (também brancas).

   Ao contrário do que solicitam todas as diretoras de escolas, as salas de aula não devem ter paredes coloridas. Salas “azuizinhas” ou “verdinhas”, prejudicam a reflexão da luz natural, e consequentemente o rendimento do aluno. O ideal é utilizar uma faixa de 1.40m de tinta à óleo cor clara (marfim ou palha) e acima utilizar latex acrílico branco neve. As cores podem vir dos cartazes e adereços pedagógicos.

   O uso das cores alegres foi então liberado nas áreas sociais e de recreação, estimulando os pequenos a gostarem da escola – não só como um ambiente de obrigações, apagado – mas também como local de fantasia e brincadeira.

Reforma – Projeto Institucional – 426m2 – 2008

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Áreas de Lazer – Sorocaba

  O crescimento urbano, planejado ou não, apresenta entraves constantes aos urbanistas e aos profissionais que trabalham na manutenção de uma cidade. Quanto maior o número de habitantes, maior o desafio de atender à todos os gostos, necessidades, anseios de uma sociedade democrática.

   A sociedade brasileira ainda caminha para uma evolução na maneira de tratar o espaço público. Se não for estimulada, a cidadania vigente pode ser a de que o espaço público não é de ninguém, enquanto que a  corrente construtivista é cuidar do que é de todos.

  Sorocaba faz parte do programa “cidade educadora”,  que procura despertar nas pessoas um conceito de cidadania ativa. Estas ações são implantadas nas áreas de saúde, educação e empreendedorismo. Acreditando na resposta positiva da população, o número de parques existentes na cidade foi dobrado após os anos 2000.

  Os parques sorocabanos destinados ao lazer não possuem muros ou alambrados.  Possuem generosas pistas de caminhada, ciclovias, pistas de skate, playground, quadras poliesportivas, campos de futebol, paisagismo contemplativo e de manejo. A reurbanização de áreas verdes só traz aspectos positivos aos bairros, resgata a cidadania dos munícipes, que se envolvem com o local e garantem a vivacidade do mesmo. O estado de conservação das áreas verdes de uma cidade tem relação intrínseca com a qualidade de vida da sua gente, com a eficiência da administração pública, com as leis orgânicas adequadas.

  A missão da arquiteta no planejamento e na gestão destas obras, a grande maioria no seu histórico profissional, foi a de manter o compromisso com a vida social existente, consciência da complexidade da metrópole (geográfica, social, cultural, financeira), uma vez que o objeto de intervenção é um tecido vivo. Também a de gerenciar com cautela os recursos disponíveis para cada caso, sem esquecer que a cidade é um todo e as prioridades devem ser respeitadas. As imagens mostram áreas de lazer projetadas nos Bairros: Central Parque, Ipiranga e Cajuru, além da praça na Av. Barão de Tatuí.

Projetos Institucionais – Diversos – 2005 a 2010

  

   

   

Chalé Francês

    Residência eclética construída em 1910, para abrigar funcionários de alto escalão da Estrada de Ferro Sorocabana, é uma das únicas na região, dentro da determinada tipologia “chalé” que ainda remanescem. Juntamente com sua envoltória, (a Estação da Estrada de Ferro Sorocabana, o Museu Ferroviário e o Palacete Scarpa) forma o mais preservado conjunto arquitetônico resultante da prosperidade ferroviária da EFS, período entre o final do século XIX e início do século XX.

   Diante do interesse do poder público neste espaço, a arquiteta elaborou um estudo de recuperação, pesquisando seu histórico, seu estilo arquitetônico, sua importância e influência no contexto urbanístico. Foram realizados levantamentos cadastrais e fotográficos, e sugestões de intervenção. Este trabalho despertou o interesse dos munícipes pelo patrimônio, resultando em ações de investimento.

   Em 2009 o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) recuperou o imóvel para estabelecer sua sede na cidade. Esta ação respeitou as principais características originais do imóvel, que encontra-se em estudo de tombamento pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico). Atualmente, o casarão é sede provisória do MACS (Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba).

Levantamento e Estudo Histórico de Patrimônio – 395,00 m2 – 2007
a serviço da Prefeitura Municipal de Sorocaba

Matéria da inauguração do Chalé Francês – http://jornalipanema.com.br/noticias/cultura/2592-chale-frances-e-inaugurado-nesta-segunda-na-abertura-da-udesign

Crédito das imagens: http://designsorocaba.com.br/udesign/
Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba: www.macs.org.br

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Parque dos Espanhóis

   Sorocaba concentra hoje a maior colônia de descendentes de espanhóis do país. As influências da Paellas, castanholas, gírias e costumes percebem-se no cotidiano. Em especial nos bairros Vila Hortência e Jardim Barcelona, onde situa-se um espaço de 47 mil metros quadrados, o antigo Centro Social Urbano, totalmente reurbanizado, batizado como Parque dos Espanhóis.

    A equipe da Secretaria de Obras realizou o projeto e a direção das obras. A arquiteta elaborou o portal de entrada, com arcos ogivais em tijolo cru, referência à arquitetura mudejar ibérica, resultado da convivência das culturas muçulmana, judia e cristã. O ornamento metálico remete ao gênio catalão Gaudí e às rosáceas de vitrais nas imponentes catedrais espanholas. Elaborou também o desenho dos gradis do parque, e na pequena ponte os portais. Buscou utilizar os tons de preto (ferragens) , amarelo (piso) e vermelho (tijolos , paredes e piso), pois as bandeiras de Sorocaba e da Espanha são semelhantes e possuem estas mesmas cores.

   O parque também ganhou o maior palco ao ar livre do município, novo paisagismo, pista de skate e de caminhada, quadra poliesportiva, campo de futebol,  playground, centro comunitário e posto policial. O espaço é completamente fluido, sem muros, integrando-se ao contexto urbano, com seus lagos e riachos. Transformou-se em um novo cartão postal da cidade.

Projeto e Obra de Reurbanização – 47.153,00 m2 – 2008
Trabalho de toda a equipe SEOBE

dedico este projeto à minha bisavó La abuela” Joana Tudella

Crédito das imagens: Prefeitura Municipal de Sorocaba

Trabalho Final de Graduação – UNICAMP

Núcleo de profissionalização em Campinas
orientador: Prof. Dr. Leandro Medrano

    A proposta deste Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo foi a de projetar um Núcleo de Ensino Profissional, aliado a um centro comercial e de lazer. O projeto visa conceber um local que sirva aos alunos com eficiência, oferecendo um suporte físico para o ensino, a criação e a prática; mas que também se relacione com a cidade, permitindo-se permear, abrigando locais de convivência, cultura e trabalho para a população em geral.

   Considerando que o local de implantação é um organismo vivo, o edifício deve apresentar uma arquitetura funcional, nos princípios da acessibilidade plena, mas que possa se adaptar a diferentes usos futuros sem perder sua identidade. Nos domínios da cultura atual, a pluralidade é um axioma que se tornou fundamental para as mais variadas realizações, invadindo a esfera da vida cotidiana. É importante mixar gêneros, espaços temporais e signos de culturas diversas (Cf. DEL RIO. Arquitetura: Pesquisa e Projeto, p. 106.). O programa básico – uma escola de profissionalização – se uniu a um espaço de comércio e a um auditório – buscando aproveitar o potencial econômico do centro de Campinas. Os espaços educacionais situam-se acima do nível térreo, para garantir um controle maior de acesso e possibilitar a utilização dos outros ambientes independentemente do funcionamento da escola.

   Reflexões sobre a decadência da res publica com o nascimento da sociedade pré-industrial, levaram à escolha específica de um espaço comercial, ao invés de outros equipamentos para gerar fluxo nas áreas públicas do núcleo profissionalizante. Koolhaas (2002) afirma que os sinais são de que o domínio público está sendo reinventado hoje em termos mais populistas ou mais comerciais.

A arquitetura deve buscar sua integração com as dinâmicas da metrópole, pois já encontra-se eclipsada por ela (cf. Koolhaas. Conversa com estudantes). O projeto pretende trazer a rua para seu interior, através da conexão comercial criada entre logradouros, coberta por uma estrutura metálica que avança em balanço sobre a calçada e “busca” o pedestre. As circulações elevadas, protegidas por uma tela metálica, permitem a interação do usuário da escola com a cidade, visualizando o entorno enquanto caminha ou estuda. O espaço escolar também transborda para a rua, fazendo do seu recuo uma praça aberta. A intervenção no espaço não compreende o edifício como um objeto isolado, ou seja, aquele que estabelece uma relação figura x fundo com a cidade. A proposta visa uma relação figura x figura, que incorpora a cidade e tira partido do seu potencial.

   A grande variação nas demandas do mercado de trabalho levou à uma configuração em planta livre nos ambientes educacionais, suportados por pilares metálicos. A flexibilização dos espaços é acessível com a utilização de divisórias leves como fechamento. As salas de aula coloridas e iluminadas, visíveis da rua, transformam a arquitetura em seu próprio painel luminoso. A origem da palavra aluno, que deriva do latim, significa “sem luz”. O jogo de cubos coloridos, configura no ambiente físico da cidade a característica conotativa da escola, aquela que ilumina. A implantação respeita os volumes e os gabaritos existentes na envoltória próxima. O novo volume projetado contesta a tradicional implantação que acompanha a esquina, invertendo-a, abrindo um respiro na paisagem adensada, propondo novos pontos de convívio, estar e conexão.

Projeto de Graduação – 1.734m2 – 2005