Parque dos Espanhóis

   Sorocaba concentra hoje a maior colônia de descendentes de espanhóis do país. As influências da Paellas, castanholas, gírias e costumes percebem-se no cotidiano. Em especial nos bairros Vila Hortência e Jardim Barcelona, onde situa-se um espaço de 47 mil metros quadrados, o antigo Centro Social Urbano, totalmente reurbanizado, batizado como Parque dos Espanhóis.

    A equipe da Secretaria de Obras realizou o projeto e a direção das obras. A arquiteta elaborou o portal de entrada, com arcos ogivais em tijolo cru, referência à arquitetura mudejar ibérica, resultado da convivência das culturas muçulmana, judia e cristã. O ornamento metálico remete ao gênio catalão Gaudí e às rosáceas de vitrais nas imponentes catedrais espanholas. Elaborou também o desenho dos gradis do parque, e na pequena ponte os portais. Buscou utilizar os tons de preto (ferragens) , amarelo (piso) e vermelho (tijolos , paredes e piso), pois as bandeiras de Sorocaba e da Espanha são semelhantes e possuem estas mesmas cores.

   O parque também ganhou o maior palco ao ar livre do município, novo paisagismo, pista de skate e de caminhada, quadra poliesportiva, campo de futebol,  playground, centro comunitário e posto policial. O espaço é completamente fluido, sem muros, integrando-se ao contexto urbano, com seus lagos e riachos. Transformou-se em um novo cartão postal da cidade.

Projeto e Obra de Reurbanização – 47.153,00 m2 – 2008
Trabalho de toda a equipe SEOBE

dedico este projeto à minha bisavó La abuela” Joana Tudella

Crédito das imagens: Prefeitura Municipal de Sorocaba

Trabalho Final de Graduação – UNICAMP

Núcleo de profissionalização em Campinas
orientador: Prof. Dr. Leandro Medrano

    A proposta deste Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo foi a de projetar um Núcleo de Ensino Profissional, aliado a um centro comercial e de lazer. O projeto visa conceber um local que sirva aos alunos com eficiência, oferecendo um suporte físico para o ensino, a criação e a prática; mas que também se relacione com a cidade, permitindo-se permear, abrigando locais de convivência, cultura e trabalho para a população em geral.

   Considerando que o local de implantação é um organismo vivo, o edifício deve apresentar uma arquitetura funcional, nos princípios da acessibilidade plena, mas que possa se adaptar a diferentes usos futuros sem perder sua identidade. Nos domínios da cultura atual, a pluralidade é um axioma que se tornou fundamental para as mais variadas realizações, invadindo a esfera da vida cotidiana. É importante mixar gêneros, espaços temporais e signos de culturas diversas (Cf. DEL RIO. Arquitetura: Pesquisa e Projeto, p. 106.). O programa básico – uma escola de profissionalização – se uniu a um espaço de comércio e a um auditório – buscando aproveitar o potencial econômico do centro de Campinas. Os espaços educacionais situam-se acima do nível térreo, para garantir um controle maior de acesso e possibilitar a utilização dos outros ambientes independentemente do funcionamento da escola.

   Reflexões sobre a decadência da res publica com o nascimento da sociedade pré-industrial, levaram à escolha específica de um espaço comercial, ao invés de outros equipamentos para gerar fluxo nas áreas públicas do núcleo profissionalizante. Koolhaas (2002) afirma que os sinais são de que o domínio público está sendo reinventado hoje em termos mais populistas ou mais comerciais.

A arquitetura deve buscar sua integração com as dinâmicas da metrópole, pois já encontra-se eclipsada por ela (cf. Koolhaas. Conversa com estudantes). O projeto pretende trazer a rua para seu interior, através da conexão comercial criada entre logradouros, coberta por uma estrutura metálica que avança em balanço sobre a calçada e “busca” o pedestre. As circulações elevadas, protegidas por uma tela metálica, permitem a interação do usuário da escola com a cidade, visualizando o entorno enquanto caminha ou estuda. O espaço escolar também transborda para a rua, fazendo do seu recuo uma praça aberta. A intervenção no espaço não compreende o edifício como um objeto isolado, ou seja, aquele que estabelece uma relação figura x fundo com a cidade. A proposta visa uma relação figura x figura, que incorpora a cidade e tira partido do seu potencial.

   A grande variação nas demandas do mercado de trabalho levou à uma configuração em planta livre nos ambientes educacionais, suportados por pilares metálicos. A flexibilização dos espaços é acessível com a utilização de divisórias leves como fechamento. As salas de aula coloridas e iluminadas, visíveis da rua, transformam a arquitetura em seu próprio painel luminoso. A origem da palavra aluno, que deriva do latim, significa “sem luz”. O jogo de cubos coloridos, configura no ambiente físico da cidade a característica conotativa da escola, aquela que ilumina. A implantação respeita os volumes e os gabaritos existentes na envoltória próxima. O novo volume projetado contesta a tradicional implantação que acompanha a esquina, invertendo-a, abrindo um respiro na paisagem adensada, propondo novos pontos de convívio, estar e conexão.

Projeto de Graduação – 1.734m2 – 2005