Trabalho Final de Graduação – UNICAMP

Núcleo de profissionalização em Campinas
orientador: Prof. Dr. Leandro Medrano

    A proposta deste Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo foi a de projetar um Núcleo de Ensino Profissional, aliado a um centro comercial e de lazer. O projeto visa conceber um local que sirva aos alunos com eficiência, oferecendo um suporte físico para o ensino, a criação e a prática; mas que também se relacione com a cidade, permitindo-se permear, abrigando locais de convivência, cultura e trabalho para a população em geral.

   Considerando que o local de implantação é um organismo vivo, o edifício deve apresentar uma arquitetura funcional, nos princípios da acessibilidade plena, mas que possa se adaptar a diferentes usos futuros sem perder sua identidade. Nos domínios da cultura atual, a pluralidade é um axioma que se tornou fundamental para as mais variadas realizações, invadindo a esfera da vida cotidiana. É importante mixar gêneros, espaços temporais e signos de culturas diversas (Cf. DEL RIO. Arquitetura: Pesquisa e Projeto, p. 106.). O programa básico – uma escola de profissionalização – se uniu a um espaço de comércio e a um auditório – buscando aproveitar o potencial econômico do centro de Campinas. Os espaços educacionais situam-se acima do nível térreo, para garantir um controle maior de acesso e possibilitar a utilização dos outros ambientes independentemente do funcionamento da escola.

   Reflexões sobre a decadência da res publica com o nascimento da sociedade pré-industrial, levaram à escolha específica de um espaço comercial, ao invés de outros equipamentos para gerar fluxo nas áreas públicas do núcleo profissionalizante. Koolhaas (2002) afirma que os sinais são de que o domínio público está sendo reinventado hoje em termos mais populistas ou mais comerciais.

A arquitetura deve buscar sua integração com as dinâmicas da metrópole, pois já encontra-se eclipsada por ela (cf. Koolhaas. Conversa com estudantes). O projeto pretende trazer a rua para seu interior, através da conexão comercial criada entre logradouros, coberta por uma estrutura metálica que avança em balanço sobre a calçada e “busca” o pedestre. As circulações elevadas, protegidas por uma tela metálica, permitem a interação do usuário da escola com a cidade, visualizando o entorno enquanto caminha ou estuda. O espaço escolar também transborda para a rua, fazendo do seu recuo uma praça aberta. A intervenção no espaço não compreende o edifício como um objeto isolado, ou seja, aquele que estabelece uma relação figura x fundo com a cidade. A proposta visa uma relação figura x figura, que incorpora a cidade e tira partido do seu potencial.

   A grande variação nas demandas do mercado de trabalho levou à uma configuração em planta livre nos ambientes educacionais, suportados por pilares metálicos. A flexibilização dos espaços é acessível com a utilização de divisórias leves como fechamento. As salas de aula coloridas e iluminadas, visíveis da rua, transformam a arquitetura em seu próprio painel luminoso. A origem da palavra aluno, que deriva do latim, significa “sem luz”. O jogo de cubos coloridos, configura no ambiente físico da cidade a característica conotativa da escola, aquela que ilumina. A implantação respeita os volumes e os gabaritos existentes na envoltória próxima. O novo volume projetado contesta a tradicional implantação que acompanha a esquina, invertendo-a, abrindo um respiro na paisagem adensada, propondo novos pontos de convívio, estar e conexão.

Projeto de Graduação – 1.734m2 – 2005

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